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8M


O dia 8 de março, dia internacional da mulher, deve ser marcado não só pela reflexão das conquistas e dos avanços históricos sobre equidade de gênero como principalmente, em sinal de alerta, também dos retrocessos que assombram o nosso tempo e fazem a pauta ainda ser extremamente atual.

Dificuldades para inserção no mercado de trabalho revelam-se essencialmente em razão de os afazeres domésticos ainda serem de responsabilidade da mulher, além do cuidado com os filhos.

Fazendo um recorte racial, ainda se identifica como vulnerabilidades múltiplas trazem um forte impacto para mulheres negras em diversos âmbitos da sua vida, não só o profissional.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações da Agência Brasil, divulgado em março deste ano, traz alguns desses indicadores sociais demonstrando como as mulheres vivem no Brasil, reforçando a enorme desigualdade de gênero presente em uma sociedade insistentemente excludente e patriarcal.

A título de exemplo, dados sobre o nível de ocupação de mulheres entre 25 e 49 anos com filhos de até 3 anos vivendo em seu domicílio é de apenas 54,6% comparado ao índice de 89,2% de homens na mesma situação. Mulheres pretas e pardas registram porcentagem inferior a 50%.

Com relação aos cuidados e afazeres domésticos, em 2019, mulheres dedicaram mais que o dobro de tempo dos homens a essas tarefas, fazendo com que, mesmo nos casos em que há inserção no mercado de trabalho, a dupla jornada trouxesse impacto no tempo de trabalho de um terço dessas mulheres, fazendo-as priorizar o regime parcial.

Diferença no recebimento de salários e rendimentos também demonstram a ausência de equidade, principalmente em cargos de chefia e funções do alto escalão, chegando a ser de um pouco mais de 60% o rendimento de mulheres comparativamente ao dos homens nesses espaços.

Apesar de dados mostrarem que mulheres ainda são mais instruídas que os homens, apesar de mesmo assim ocuparem menos espaços de poder, índice aponta que mulheres pretas ou pardas possuem taxa de frequência escolar líquida de quase metade comparativamente à de mulheres brancas.

Sobre a participação feminina na política, o Brasil desponta como o país com a menor proporção entre os países da América Latina.

No Amapá, os altos índices de violência doméstica contra mulheres colocam o Estado, segundo o Monitor de Violência, no topo do ranking de feminicídios no Brasil ainda em 2019.

Sem falar no impacto da pandemia, que foi muito maior em diversos aspectos (econômicos, sociais e etc.) para as mulheres, que representam a maior parte do trabalho informal brasileiro, especialmente as mulheres pretas, pardas, indígenas e quilombolas.

Os dados não mentem e por isso é necessário continuar resistindo! É preciso fortalecer e incentivar mulheres, no local onde elas quiserem estar.

Como iniciativa que pretende valorizar e empoderar mulheres nortistas, a Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Amapá (ADEPAP) lança, neste 8 de março, a campanha “#8M – Mulher: minha força, meu poder”, para falar sobre o poder de transformação da realidade inerente às mulheres.

Durante essa semana, divulgaremos os trabalhos de algumas mulheres amapaenses que, com a sua arte, lançam o seu olhar sobre o mundo, provocando mudanças criativas e invocando sentimentos próprios da razão de ser mulher.

As convidadas, com diferentes traços, prepararam uma arte exclusiva para a campanha, trazendo uma expressão artística sobre o 8M, em um verdadeiro culto a identidade da mulher artista amapaense e o seu poder criador de mundos.

São elas Thai Rodrigues (@osdesenhosdathai), Aynan Del Tetto (@mrs.delart) e Karen Pimenta (@pimentailustra), e falaremos um pouco mais sobre cada arte na nossa página do instagram (@associacaoadepap) no decorrer da semana.

Para Aynan, a arte veio como redenção de uma crise de ansiedade. Por meio dela, conseguiu uma renda extra e inspiração para expressar um olhar clássico sobre o mundo. “Sempre gostei de desenhar”, afirma Aynan. “Em 2018 tive a minha primeira encomenda e fiquei muito feliz. Desde então, comecei a me dedicar mais a arte e pude fazer inclusive amigos incríveis que me incentivam demais”, finaliza.

Thai Rodrigues fala sobre as dificuldades de ser artista em um ambiente que ainda é predominantemente masculino. “Muitas portas ainda estão fechadas para as mulheres em muitos meios, e no meio artístico não é diferente. A violência, sob vários aspectos, ainda é uma realidade própria das mulheres”, fala. “Mas eu trabalho com cenários de fantasia e acredito que posso criar uma realidade diferente, de não-violência, para além dos nossos corpos e para além da ignorância que sofremos diariamente”.

Karen Pimenta conta que é formada em jornalismo, com curso técnico em ilustração pela Escola de Artes Cândido Portinari, mãe de duas meninas e feminista. Para a artista, foi a partir do momento da maternidade que decidiu contar a sua história e de outras mulheres através da arte, compartilhando todo o sentimento e magia que pulsa dentro de cada uma delas.

“Após me tornar mãe pela segunda vez, encontrei na arte uma maneira de expressar todos os sentimentos que me rondavam em meu puerpério. Sentimentos intensos e, que precisavam ser compartilhados, com a mesma intensidade que os sentia, como uma maneira de encontrar apoio e identificação com outras mulheres que porventura estivessem passando pela mesma situação. E, as encontrei. Não só elas, mas outras mulheres igualmente extraordinárias”, explica Karen.

Mulheres, são muitas. Elas são muitas outras! Em cores, afetos, lutas e resistência. O ser mulher e ser mulher artista amapaense está expressa nos trabalhos de inúmeras artesãs, que vão colorindo dias sombrios com a esperança revolucionária da arte.

Elas falam também de empoderamento feminino, de aceitação, de luta contra qualquer tipo de opressão e resistem por meio de aquarelas e cores, transformando muros, pátios, esquinas, na pele ou no mundo virtual. Trazem mensagens escondidas e explícitas, provocando sensações, povoando fantasias e trazendo – porque não – alegria em lugares muitas vezes esquecidos.

Como dito pela artista Lene Moraes, “A Arte é no feminino, é mulher”, ao pintar sereias pretas à mão com arco-íris nos rabos. A cultura amapaense certamente sofre a influência da potencialidade nortista pelas mãos, braços e olhares dessas mulheres, que refletem o universo amazônico e a realidade das suas cidades, ressignificando espaços e contando muitas histórias de vidas urbanas, ribeirinhas, negras, pardas, indígenas, quilombolas, de mulheres fortes, de mulheres que vivem, sofrem, choram e permanecem em eterna vigília por equidade.

Como forma de incentivo e de apoio ao trabalho dessas mulheres, divulgamos aqui as páginas de algumas delas. Confira a lista abaixo, divulgue e apoie você também tanta potencialidade nortista!

Moka - @moarapinta

Bê - @milhodevenus

Gabriela Campelo - @_campis_

Ateliê Linha Preta - @ atelielinh.apreta

Najulia - @ najuliarte

Carla Antunes - @_carla_antunes

Gabriella - @_bibitattoo

Selvática - @eraselvatica

Dayanne Farias - @adayfaria

π | JJ - @jj.noones

Luci - @eindige

Sultana Ateliê - @sultanaatelie

Casa 1932 - @casa1932_

Maria Paula - @forasteira__

Brunna Venâncio - @brubtattoo

Diwlay Doratt - @doratt__

Nilms - @nilmstattoo

Amanda Morhy - @morhy.ink

𝕸𝖆𝖉𝖆𝖗𝖆 𝕬𝖗𝖆𝖚𝖏𝖔 - @madtattooo

Day Aranha - @dayaranha.tattoo

Tami Martins - @tamimartinsss

Bordá-lhe - @bordalhe

Bianca Liane - @biancaliane

Y A S M I N N I C O L E - @yasminnicole_draw

Z E R O O I T O - @zerooitoap

Aline - @nsworl

Lene Moraes - @lene.moraess

Studio no Mato - @studio_no_mato

fada tattoo - @fadataattoo

SOLITUDE - @solitude.ateliee

Luiza Nobre - @luizanobreph

Ianca - @aiancamoreira

Laura Pollyanna Inajosa - @quietexplosi0n

I n g r a - @_ingraaa

Crochê Criativo - @ravenadagama

Flora - @floraryot

A N S I E D A R T - @ansiedart

Lícer Taveira - @valfenda_arte

Maysa Brandão - @maysaabrandao

Adriana Pantoja - @adriana.pantojas

Naathy - @Naathy

Zwanga African Fashion - @zwanga_oficial

Aline Pacheco - @aline__pacheco__

Tupinambárbara - @barbara_vento

Nalu.Art - @nalu.ar

Muitas outras mulheres amapaenses, em outros espaços, como na música, na política e no empreendorismo também constroem mundos, desfazem muros e imaginam uma realidade melhor e mais justa. A todas elas, a nossa homenagem!

#8M #MulherMinhaForçaMeuPoder #ADEPAP #ApoieMulheres



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